11 doenças fúngicas em plantas: prevenção e controle
Fungos atacam folhas, frutos e raízes. Conheça as 11 doenças fúngicas mais comuns em plantas, com sintomas, prevenção e controle. Guia prático baseado em dados da Embrapa e manejo integrado.
Fungos causam perdas de 20% a 40% na produção agrícola global, segundo a FAO. Para o pequeno produtor organizado em cooperativa, o prejuízo não é só na lavoura: compromete contratos, certificações e a renda de dezenas de famílias. Conhecer as 11 doenças fúngicas mais frequentes e como preveni-las é o primeiro passo para reduzir riscos. Este guia reúne sintomas, condições favoráveis e medidas de controle para cada uma, com base em dados da Embrapa e boletins fitossanitários.
1. Oídio
O oídio é causado por fungos da ordem Erysiphales. Forma uma camada pulverulenta branca ou acinzentada sobre folhas, brotos e frutos. A doença prospera em ambientes com alta umidade relativa do ar (acima de 70%) e temperaturas entre 20°C e 25°C, mas sem água livre na superfície. Em roseiras e cucurbitáceas, o oídio reduz a fotossíntese e deprecia o produto comercial. A prevenção inclui podas de aeração, evitar adubação nitrogenada excessiva e aplicar enxofre ou bicarbonato de potássio nos primeiros sintomas. A Embrapa recomenda o uso de cultivares resistentes, como algumas variedades de abóbora e pepino.
2. Míldio
O míldio é provocado por fungos da família Peronosporaceae. Manchas amareladas na face superior da folha e um mofo acinzentado na face inferior são os sinais clássicos. A doença avança rápido em períodos chuvosos, com temperatura entre 15°C e 22°C. Em videiras, o míldio pode destruir cachos inteiros se não controlado. A prevenção exige espaçamento que permita ventilação, eliminação de restos de cultura e aplicação preventiva de fungicidas cúpricos (calda bordalesa) no início do brotamento. Dados de 2023 da Embrapa Uva e Vinho indicam que o monitoramento semanal reduz em 60% a necessidade de pulverizações.
3. Ferrugem
Ferrugens são causadas por fungos da ordem Pucciniales. Pústulas alaranjadas, marrons ou pretas surgem em folhas, caules e frutos. Cada espécie de ferrugem ataca um grupo específico de plantas: a ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) é a mais devastadora, com potencial de perda de até 80% da lavoura. A disseminação ocorre por esporos transportados pelo vento. A prevenção combina vazio sanitário (período sem plantas hospedeiras), uso de cultivares resistentes e aplicação de fungicidas triazóis e estrobilurinas no estágio vegetativo. A Embrapa Soja alerta que a ferrugem já apresenta resistência a alguns fungicidas, exigindo rotação de modos de ação.
4. Antracnose
Causada por fungos do gênero Colletotrichum, a antracnose provoca lesões escuras, deprimidas e com bordas definidas em folhas, frutos e hastes. Em mangueiras, a doença mancha os frutos e inviabiliza a exportação. A infecção ocorre em temperaturas entre 22°C e 27°C com alta umidade. A prevenção inclui poda de ramos afetados, adubação equilibrada (evitar excesso de nitrogênio) e aplicação de fungicidas à base de cobre ou mancozebe no início da floração. Um estudo de 2022 da Embrapa Agroindústria Tropical mostrou que a cobertura com filme plástico no solo reduziu a incidência em 45% em pomares de manga.
5. Podridão radicular (Fusarium e Phytophthora)
Fusarium oxysporum e Phytophthora spp. atacam as raízes, causando murcha, amarelecimento e morte da planta. O fusarium é mais comum em solos arenosos e temperaturas acima de 25°C; a phytophthora prefere solos encharcados e clima ameno. Ambas permanecem no solo por anos. A prevenção exige rotação de culturas com gramíneas, uso de mudas sadias e melhoria da drenagem. A Embrapa Hortaliças recomenda a solarização do solo (cobertura com plástico transparente por 30 a 45 dias) para reduzir o inóculo em áreas infestadas. Em tomateiros, a enxertia em porta-enxertos resistentes tem sido eficaz.
6. Mofo cinzento (Botrytis cinerea)
Botrytis cinerea ataca mais de 200 espécies vegetais, com destaque para morangueiro, videira e tomateiro. O mofo cinzento surge como uma camada acinzentada sobre tecidos em decomposição, especialmente em flores e frutos maduros. A doença avança em ambientes úmidos (acima de 90%) e temperaturas entre 15°C e 20°C. A prevenção foca na redução da umidade: estufas com ventilação lateral, espaçamento amplo e eliminação de flores e frutos doentes. Fungicidas específicos (iprodiona, fenhexamida) devem ser aplicados preventivamente. A resistência do fungo a benzimidazóis é comum, exigindo alternância de princípios ativos.
7. Mancha de Alternária (Alternaria solani)
Alternaria solani causa manchas circulares escuras com anéis concêntricos em folhas, caules e frutos de solanáceas (tomate, batata, berinjela). A doença é favorecida por temperaturas entre 24°C e 30°C e períodos de molhamento foliar acima de 8 horas. A prevenção inclui rotação com não solanáceas por pelo menos dois anos, uso de sementes tratadas e aplicação de fungicidas protetores (clorotalonil, mancozebe) a cada 7 a 10 dias em épocas chuvosas. A Embrapa Hortaliças destaca que a eliminação de restos culturais e plantas voluntárias reduz o inóculo inicial.
8. Requeima (Phytophthora infestans)
A requeima, causada por Phytophthora infestans, foi responsável pela fome da batata na Irlanda no século XIX. Manchas aquosas nas folhas, que rapidamente se tornam necróticas, e podridão marrom nos tubérculos são os sintomas. A doença avança em temperaturas entre 15°C e 20°C com alta umidade. A prevenção exige cultivares resistentes (como algumas variedades de batata da Embrapa), tratamento de tubérculos-semente com fungicidas sistêmicos (metalaxil-M) e pulverizações preventivas com fungicidas de contato. O monitoramento climático com estações automáticas permite prever o risco de epidemia.
9. Septoriose (Septoria lycopersici)
Septoria lycopersici ataca principalmente o tomateiro. Pequenas manchas circulares com bordas escuras e centro claro, com pontos pretos (picnídios), surgem nas folhas inferiores e progridem para cima. A doença é favorecida por temperaturas entre 20°C e 25°C e umidade relativa acima de 85%. A prevenção inclui rotação de culturas (evitar tomate por 2 a 3 anos), uso de mudas sadias e aplicação de fungicidas protetores (clorotalonil) a cada 7 a 14 dias. A Embrapa Hortaliças recomenda a eliminação das folhas inferiores doentes para retardar a epidemia.
10. Fusariose (Fusarium oxysporum f. sp. cubense)
A fusariose ou mal-do-Panamá ataca bananeiras, causando amarelecimento e murcha das folhas mais velhas, seguido de morte da planta. A raça 1 devastou plantações de banana-maçã no Brasil; a raça 4 tropical (TR4) é uma ameaça global. O fungo vive no solo e entra pelas raízes. A prevenção exige mudas micropropagadas sadias, isolamento de áreas infectadas e uso de cultivares resistentes (como a Prata-Anã para a raça 1). A Embrapa Mandioca e Fruticultura alerta que não há controle químico eficaz; a prevenção é a única estratégia.
11. Podridão de esclerotínia (Sclerotinia sclerotiorum)
Sclerotinia sclerotiorum causa mofo-branco em mais de 400 espécies, incluindo soja, feijão e alface. Os sintomas incluem lesões aquosas com micélio branco e escleródios pretos no interior dos caules. A doença é favorecida por temperaturas entre 15°C e 20°C e solo úmido. A prevenção combina rotação com gramíneas, plantio em linhas mais espaçadas, eliminação de plantas daninhas hospedeiras e aplicação de fungicidas biológicos (Trichoderma spp.) no solo. A Embrapa Soja recomenda o uso de cultivares com arquitetura mais aberta, que reduzem o sombreamento e a umidade do dossel.
FAQ
Como identificar se a doença é fúngica?
Manchas, pústulas, mofo ou podridão com bordas definidas, geralmente acompanhadas de esporulação (pó branco, cinza, alaranjado ou preto). Ao contrário de bactérias, fungos raramente causam odor fétido ou exsudação viscosa.
Qual a diferença entre oídio e míldio?
O oídio forma uma camada pulverulenta branca na superfície da folha, sem necessidade de água livre. O míldio causa manchas amareladas na face superior e mofo acinzentado na inferior, exigindo folhas molhadas para infectar.
Fungicidas caseiros funcionam?
Calda bordalesa (sulfato de cobre + cal) e leite de vaca diluído a 10% têm ação preventiva contra oídio e míldio. Mas em infecções estabelecidas ou em cultivos comerciais, a eficácia é limitada. Para produção em escala, fungicidas registrados são mais confiáveis.
Como prevenir fungos sem usar químicos?
Rotação de culturas, escolha de variedades resistentes, espaçamento adequado para ventilação, eliminação de restos culturais e irrigação por gotejamento (evitando molhar as folhas) reduzem o risco em até 70%, segundo a Embrapa.
Quando aplicar fungicida preventivo?
No início do brotamento ou floração, antes do aparecimento dos sintomas, especialmente em períodos de alta umidade e temperatura favorável. O monitoramento semanal com estações climáticas ajuda a definir o momento ideal.
Fungos no solo podem ser eliminados?
Difícil eliminar completamente, mas a solarização (cobertura com plástico por 30-45 dias em solo úmido) reduz o inóculo. A rotação com gramíneas e a incorporação de matéria orgânica estimulam microrganismos antagonistas, como Trichoderma.