Poupança: brasileiros retiram R$ 10,5 bi em agosto
Banco Central aponta saques de R$ 368,2 bilhões contra depósitos de R$ 357,7 bilhões em agosto. É o terceiro mês seguido de retirada líquida, com Selic a 14% ao ano pressionando a caderneta.
O saldo da caderneta de poupança voltou a encolher em agosto. Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Banco Central, as saídas superaram as entradas em R$ 10,5 bilhões no mês.
Foram aplicados R$ 357,7 bilhões, contra saques de R$ 368,2 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,5 bilhões, e o saldo total da poupança segue pouco acima de R$ 1 trilhão.
É o terceiro mês consecutivo de retirada líquida. Em 2026, apenas maio registrou mais depósitos que saques. Até agosto, a caderneta acumula R$ 57,1 bilhões em saídas líquidas no ano.
O movimento não é isolado. Em 2023, as retiradas líquidas somaram R$ 87,8 bilhões; em 2024, R$ 15,5 bilhões; e no ano passado, R$ 85,6 bilhões.
Selic a 14% ao ano puxa recursos para outros investimentos
Entre os fatores que explicam a fuga da caderneta está a Selic, taxa básica de juros definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, atualmente em 14% ao ano. Juros altos tornam aplicações com melhor desempenho mais atraentes que a poupança.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião de março, em cenário de queda da inflação. A guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e alimentos, dificulta a queda da taxa.
A Selic é o principal instrumento do BC para perseguir a meta de 3% para o IPCA, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Quando o Copom eleva a taxa, o objetivo é conter a demanda aquecida: juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Inflação dá trégua, mas agosto ainda é incógnita
Em julho, os alimentos ficaram mais baratos e a inflação oficial perdeu força pelo quarto mês seguido, fechando em 0,07%, segundo o IBGE. O IPCA acumulou 4,44% em 12 meses, de volta à margem de tolerância da meta.
O dado de agosto será divulgado nesta sexta-feira (11) pelo IBGE e deve indicar se a trajetória de alívio se mantém.
Para quem acompanha o setor, a leitura prática é direta: a poupança perde competitividade sempre que a Selic fica em patamar elevado, e o investidor migra para alternativas com rendimento maior. A caderneta continua sendo reserva de liquidez, não estratégia de rentabilidade.