Dólar cai para R$ 5,17 após recompra de títulos nos EUA
O dólar fechou em forte queda nesta quarta, a R$ 5,17, após o Tesouro dos EUA anunciar ampliação da recompra de títulos de longo prazo. Ibovespa interrompe sequência de 11 quedas e sobe 0,90%. Entenda o que muda para o consumidor.
O anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de que pretende ampliar as operações de recompra de títulos de longo prazo trouxe alívio global. O dólar fechou em forte queda, e a bolsa avançou quase 1%. Para o consumidor, a moeda mais barata tende a aliviar preços de importados e pressões inflacionárias, embora o efeito leve tempo para chegar às prateleiras.
O dólar recuou 0,86% no mercado à vista e encerrou o pregão pela primeira vez abaixo de R$ 5,20 após três sessões. Durante a manhã, por volta das 10h30, chegou a R$ 5,15. Segundo o Banco Central, o dólar PTAX de venda em 19/08/2026 foi R$ 5,1714, confirmando o movimento. Na véspera, o dólar comercial tinha fechado a R$ 5,22, no maior valor desde 30 de março. Apesar da queda, a moeda ainda acumula alta de 1,83% na semana e de 2,09% em agosto.
O movimento acompanhou a desvalorização do dólar no exterior depois que o Tesouro dos EUA anunciou que poderá dobrar o volume de algumas operações de recompra de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos. As operações, previstas entre 9 de setembro e 4 de novembro, terão volume de pelo menos US$ 4 bilhões por operação, ante US$ 2 bilhões anteriormente. Isso reduziu os rendimentos dos Treasuries e favoreceu o fluxo para ativos de risco, incluindo emergentes.
O Ibovespa avançou 0,90%, aos 167.830,27 pontos, interrompendo uma sequência de 11 pregões consecutivos de queda, a mais longa desde 2023. Nos 11 pregões anteriores, o índice havia acumulado perda de 6,55%. A alta foi sustentada por ações de grande peso, incluindo petroleiras, mineradoras e bancos.
A ata da reunião de julho do Federal Reserve mostrou preocupação com a inflação, mas teve impacto limitado sobre o dólar. Apesar da recuperação, o mercado brasileiro segue sob influência de fatores domésticos, como juros elevados e cenário eleitoral. Até 17 de agosto, o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa estava negativo em R$ 18,6 bilhões. Para o produtor, a queda do dólar pode reduzir custos de insumos importados, mas a volatilidade exige cautela no planejamento. impacto do câmbio no agronegócio