# Antiga sede dos Correios no centro do Rio vai a leilão nesta quinta (30)

> A antiga sede dos Correios no centro do Rio de Janeiro, localizada na Rua Primeiro de Março, será leiloada nesta quinta-feira (30) com lance inicial de R$ 53,6 milhões. O imóvel tombado em nível federal integra o conjunto da Praça XV, gerando debates sobre preservação patrimonial e destinação futura.

*Terra Verde Viva · Sustentabilidade · 30 de julho de 2026 · Dirce Yamaguchi*

A antiga sede dos Correios, na Rua Primeiro de Março, centro do Rio, será leiloada nesta quinta-feira (30) com lance inicial de R$ 53,6 milhões. O prédio tombado em nível federal integra o conjunto da Praça XV e levanta discussões sobre preservação e novo uso.

## Antiga sede dos Correios no centro do Rio vai a leilão nesta quinta-feira (30)

A antiga sede dos Correios, na Rua Primeiro de Março, no centro do Rio de Janeiro, será levada a leilão nesta quinta-feira (30). O imóvel, um dos edifícios históricos da região da Praça XV, será ofertado com valor inicial de R$ 53,6 milhões. O certame será realizado exclusivamente pela internet, na plataforma da VIP Leilões.

A venda ocorre em meio ao processo de reestruturação dos Correios e levanta discussões sobre o futuro do edifício e sua inserção no conjunto histórico e cultural do centro da capital fluminense.

### O que o tombamento permite e o que proíbe?

O prédio está inserido no conjunto arquitetônico da Praça XV, tombado em nível federal, e fica próximo de marcos como o Paço Imperial, a Igreja da Candelária, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o Centro Cultural França-Brasil.

Para a presidente em exercício do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Isabel Rocha, o tombamento protege as características do edifício, mas não impede a transferência de propriedade. "O que um tombamento garante no caso de leilão de prédio público? Primeiro, é preciso esclarecer que o instrumento do tombamento não retira a propriedade. A propriedade continua sendo de pleno direito e gozo de quem a detém", afirmou Isabel à Agência Brasil.

Segundo ela, um imóvel tombado pode ser vendido, alugado ou cedido. O proprietário, no entanto, não pode demolir ou descaracterizar o bem e deve obter autorização dos órgãos responsáveis pela preservação antes de realizar intervenções.

### Qual a preocupação do CAU/RJ?

A preocupação do CAU/RJ está relacionada principalmente ao uso que poderá ser dado ao imóvel depois da venda e ao impacto sobre a paisagem histórica da região. "Em um leilão não se tem controle, e não se pode ter, de quem vai ocupar e qual será o destino dado ao imóvel", disse Isabel.

Para a arquiteta, quem adquirir o prédio deverá considerar não apenas as restrições impostas pelo tombamento, mas a posição do imóvel em uma área de forte valor histórico. "É importante e fundamental que a pessoa ou instituição que adquirir o imóvel, o vencedor do leilão, tenha plena consciência do objeto que está adquirindo. Não se trata de qualquer imóvel em qualquer rua", acrescentou.

### O que dizem os Correios e o Iphan?

Em nota enviada à Agência Brasil, os Correios informaram que a alienação do imóvel faz parte da revisão de sua carteira imobiliária e integra o plano de reestruturação da estatal. "A racionalização de ativos ociosos ou subutilizados contribui para a redução de despesas de manutenção e viabiliza o reinvestimento em modernização, além de apoiar o processo de reequilíbrio financeiro da estatal".

A empresa informou ainda que os certames para venda de imóveis são realizados exclusivamente no site da VIP Leilões. O lance inicial previsto para o edifício é R$ 53,6 milhões. Caso não haja arrematação nas primeiras etapas, o valor poderá cair para R$ 47,8 milhões nas rodadas seguintes.

Procurado pela Agência Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que não interfere na transferência da propriedade ou da posse de bens tombados. "O Iphan informa que não se manifesta em casos de transferência de propriedade ou posse de bens tombados, uma vez que não tem competência para atuar nessa temática. Para a autarquia, é indiferente quem seja o proprietário do bem", informou o instituto.

Segundo o Iphan também, a responsabilidade pela integridade e pela manutenção do imóvel permanece com o proprietário, independentemente de eventual mudança de titularidade. O comprador também deverá registrar a transferência no Cartório de Registro de Imóveis e comunicar a mudança de propriedade ao Iphan no prazo de até 30 dias.

### Características do imóvel

Com cerca de 9 mil metros quadrados de área construída e terreno de aproximadamente 1.585 metros quadrados, o edifício ocupa o quarteirão delimitado pelas ruas Primeiro de Março, do Rosário, Visconde de Itaboraí e Travessa Tocantins. O imóvel foi concebido ainda no período imperial e passou por ampliações ao longo de sua história. A construção integra a paisagem de uma área que concentrou atividades administrativas, comerciais e financeiras da antiga capital brasileira.

De acordo com o instituto, a antiga sede dos Correios integra o conjunto arquitetônico da Praça XV, protegido em nível federal. O Iphan destaca que a edificação tem características dos antigos "palácios dos Correios" e se tornou um marco urbano da Rua Primeiro de Março.

Na avaliação de Isabel Rocha, eventuais projetos de adaptação do edifício a um novo uso também terão de observar as exigências dos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio. "Nenhuma obra para adaptação ao novo uso ou ocupação do espaço poderá ser realizada sem licença prévia desses órgãos", afirmou.

## Perguntas Frequentes

### O leilão será presencial?

Não. O certame será realizado exclusivamente pela internet, na plataforma da VIP Leilões.

### Qual o valor mínimo do lance?

O lance inicial previsto é de R$ 53,6 milhões. Caso não haja arrematação nas primeiras etapas, o valor poderá cair para R$ 47,8 milhões nas rodadas seguintes.

### O tombamento impede a venda?

Não. Segundo Isabel Rocha, do CAU/RJ, o tombamento não retira a propriedade e o imóvel pode ser vendido, alugado ou cedido. O que ele impede é a demolição ou descaracterização do bem.

### Quem comprar pode reformar o prédio?

Sim, mas com restrições. Qualquer obra de adaptação precisa de autorização prévia dos órgãos de preservação do patrimônio.

### O Iphan precisa aprovar a venda?

Não. O Iphan informou que não interfere na transferência de propriedade ou posse de bens tombados.

### O que o comprador precisa fazer após a compra?

Registrar a transferência no Cartório de Registro de Imóveis e comunicar a mudança de propriedade ao Iphan no prazo de até 30 dias.

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Fonte (canonical): https://terraverdeviva.com.br/sustentabilidade/antiga-sede-correios-centro-rio-vai-leilao-nesta-quinta/
