Sustentabilidade

Brasil aciona OMC contra tarifas dos EUA em julho de 2026

ResumoO Brasil acionou formalmente a Organização Mundial do Comércio (OMC) em 27 de julho de 2026 contra tarifas dos Estados Unidos. As medidas contestadas, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, impõem sobretaxa acumulada de 37,5% sobre 16,5% das exportações brasileiras ao mercado americano. O pedido de consultas busca solução para a disputa comercial.

O Brasil acionou formalmente a OMC nesta segunda (27) contra tarifas dos EUA que somam sobretaxa acumulada de 37,5% sobre 16,5% das exportações brasileiras ao mercado americano. O pedido de consultas contesta duas medidas baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Anselmo Tavares
Anselmo Tavares Repórter de Cooperativismo Verde · 28 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Brasil aciona OMC contra tarifas dos EUA em julho de 2026

Brasil aciona OMC contra tarifas impostas pelos Estados Unidos

O governo brasileiro apresentou nesta segunda-feira (27) um pedido de consultas aos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), contestando duas medidas tarifárias adotadas pelo país norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A sobretaxa acumulada de 37,5% atinge US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros exportados aos EUA, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O Brasil apresentou nesta segunda-feira (27) um pedido de consultas aos Estados Unidos na OMC, contestando duas tarifas: uma adicional de 25% sobre produtos brasileiros (investigação específica) e outra de 12,5% (investigação com 60 economias). A sobretaxa acumulada chega a 37,5% e afeta US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras.

O que o Brasil contesta na OMC contra os EUA

Segundo nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil considera que as tarifas são injustificadas e incompatíveis com as obrigações assumidas pelos Estados Unidos no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e das regras que disciplinam o mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

O pedido de consultas representa a primeira etapa formal do sistema de solução de controvérsias da OMC. Nessa fase, os países buscam negociar uma solução para o conflito antes da eventual instalação de um painel para analisar o caso. De acordo com o Itamaraty, a iniciativa busca contestar a compatibilidade das medidas tarifárias norte-americanas com as normas multilaterais de comércio.

As duas tarifas dos EUA questionadas pelo Brasil

Uma das medidas questionadas decorre de uma investigação específica sobre o Brasil e impôs tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. No processo, os Estados Unidos examinaram temas como comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, aplicação da legislação anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

A segunda medida foi resultado de uma investigação conduzida com 60 economias e estabeleceu tarifa adicional de 12,5% para produtos brasileiros. Nesse caso, o foco da investigação foi a existência e a aplicação de restrições à importação de bens produzidos, total ou parcialmente, com trabalho forçado.

Impacto nas exportações brasileiras: US$ 6,6 bilhões

As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos vão atingir US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, informou o MDIC. Segundo a pasta, a sobretaxa acumulada de 37,5% alcança 16,5% das exportações brasileiras para os EUA.

Entre os itens atingidos estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Próximos passos na OMC

O pedido de consultas é a etapa inicial do contencioso. Caso não haja acordo negociado entre Brasil e Estados Unidos nessa fase, o Brasil poderá solicitar a instalação de um painel na OMC para julgar o mérito da disputa. O Itamaraty não detalhou prazos para a conclusão das consultas.

Perguntas Frequentes

O que é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974?

É um dispositivo legal dos EUA que permite ao país impor tarifas ou restrições comerciais contra práticas consideradas desleais por parte de outros países. Foi a base legal para as duas tarifas contestadas pelo Brasil.

Qual a diferença entre as duas tarifas?

A primeira tarifa (25%) veio de uma investigação focada exclusivamente no Brasil, abordando temas como comércio digital e propriedade intelectual. A segunda (12,5%) veio de uma investigação com 60 economias, focada em trabalho forçado.

Quanto tempo leva o processo na OMC?

A fase de consultas não tem prazo fixo. Se não houver acordo, o caso pode seguir para um painel, que costuma levar de 12 a 18 meses para emitir uma decisão.

O que são consultas na OMC?

É a primeira etapa formal do sistema de solução de controvérsias, onde os países tentam resolver a disputa por negociação direta antes de um eventual julgamento.

Quais produtos brasileiros são mais afetados?

Máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções estão entre os itens atingidos pelas tarifas.

O Brasil pode recorrer se perder na OMC?

Sim, o sistema da OMC prevê uma instância de apelação, embora o Órgão de Apelação esteja paralisado desde 2019 por falta de consenso entre os membros.

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