# Calda bordalesa fazer: guia passo a passo completo

> Calda bordalesa é um fungicida natural de preparo caseiro, eficaz contra fungos em hortas e pomares. O guia completo para 10 litros exige sulfato de cobre, cal virgem e água, com mistura em recipiente plástico e aplicação via pulverização. A segurança inclui uso de luvas e máscara. A calda deve ser usada no mesmo dia para manter a eficácia.

*Terra Verde Viva · Sustentabilidade · 31 de agosto de 2026 · Dirce Yamaguchi*

A calda bordalesa é um dos fungicidas naturais mais antigos e eficazes. Neste guia, mostramos o passo a passo para preparar 10 litros com segurança, desde a escolha dos ingredientes até a aplicação correta.

Debaixo da terra, a vida se organiza em silêncio. Mas acima dela, as folhas pedem socorro quando fungos aparecem. A calda bordalesa é uma das respostas mais antigas da agricultura para esse problema, e o melhor: você pode prepará-la na própria propriedade, com três ingredientes simples. Neste guia, vamos mostrar o passo a passo completo para fazer 10 litros de calda bordalesa, desde a escolha dos materiais até a aplicação, com dicas para evitar os erros mais comuns.

A calda bordalesa é um fungicida preventivo à base de sulfato de cobre e cal virgem, usado há mais de um século na viticultura e hoje presente em diversas culturas. Ela age criando uma barreira protetora sobre as folhas, impedindo a germinação de esporos de fungos como a requeima do tomate, a ferrugem do cafeeiro e o míldio da videira. Para fazer a calda bordalesa, você vai precisar de água limpa, sulfato de cobre e cal virgem, na proporção correta para a concentração desejada.

## O que você precisa antes de começar

Antes de misturar qualquer coisa, reúna os materiais e entenda o papel de cada um. A água deve ser limpa e de preferência com pH neutro, pois água muito alcalina ou ácida interfere na reação. O sulfato de cobre é um sal azul, vendido em lojas agropecuárias, e a cal virgem (óxido de cálcio) é o mesmo material usado na construção civil, mas precisa ser de boa qualidade, sem impurezas.

Você também vai precisar de dois baldes plásticos (nunca metálicos, pois o cobre reage com o metal), uma peneira fina ou pano para filtrar, um bastão de madeira para mexer e um medidor de pH, que pode ser fitas de pH ou um kit simples. O pH da calda pronta deve ficar entre 7 e 8, levemente alcalino. Se estiver ácido (abaixo de 7), a calda queima as folhas; se muito alcalino (acima de 9), perde eficácia.

## Passo 1: Calcule a concentração ideal

A concentração da calda bordalesa varia com a cultura e a época. Para uso preventivo em hortaliças, a concentração de 0,3% a 0,5% é comum. Em frutíferas, pode-se usar até 1%. Na dúvida, comece com 0,5%, que equivale a 50 gramas de sulfato de cobre e 50 gramas de cal para 10 litros de água.

Para 10 litros a 0,3%, use 30 gramas de cada ingrediente. A regra é simples: a concentração percentual é a quantidade de sulfato de cobre em gramas dividida por 10. Ou seja, 1% = 100g de sulfato para 10 litros. A cal entra na mesma quantidade do sulfato, em peso.

Erro comum: usar mais cal do que sulfato para "neutralizar" a acidez. Isso desequilibra a calda e reduz a aderência. A proporção correta é 1:1 em peso.

## Passo 2: Prepare a solução de sulfato de cobre

Encha um balde plástico com 5 litros de água. Adicione o sulfato de cobre aos poucos, mexendo com o bastão de madeira até dissolver completamente. O sulfato demora alguns minutos para dissolver; não adianta apressar. Se usar água fria, o processo fica mais lento, então água em temperatura ambiente ajuda.

Dica: use luvas de borracha e óculos de proteção. O sulfato de cobre é irritante para a pele e os olhos.

## Passo 3: Prepare a solução de cal

No segundo balde, coloque os outros 5 litros de água. Adicione a cal virgem aos poucos, mexendo sempre. A cal reage com a água liberando calor, então cuidado com respingos. A mistura fica branca e leitosa, e deve ficar homogênea, sem grumos.

Erro comum: colocar a cal na água de uma vez. Isso causa efervescência violenta e pode respingar. Vá adicionando em pequenas porções, como quem tempera uma comida.

## Passo 4: Misture as duas soluções

Agora vem o momento crítico. Despeje a solução de cal lentamente na solução de sulfato de cobre, mexendo sem parar. A ordem importa: sempre a cal sobre o sulfato, nunca o contrário. Isso evita a formação de precipitados que entopem o pulverizador.

A mistura final deve ter cor azulada, semelhante a água com anilina. Se ficar esverdeada, a cal está em excesso. Se ficar muito azul escura, falta cal.

## Passo 5: Teste o pH e a reação

Com a calda pronta, teste o pH com a fita ou kit. O ideal é entre 7 e 8. Se o pH estiver abaixo de 7, adicione mais um pouco de solução de cal, aos poucos, e mexa. Se estiver acima de 9, não use na lavoura; descarte e recomece, pois a calda muito alcalina pode danificar as folhas.

Outro teste simples: mergulhe um prego de ferro limpo na calda por alguns minutos. Se o prego ficar com uma camada rosada de cobre depositado, a calda está ácida demais e precisa de mais cal. Esse truque é usado por produtores há gerações.

## Passo 6: Filtre e use no mesmo dia

Antes de colocar no pulverizador, passe a calda por uma peneira fina ou pano limpo. Isso remove resíduos de cal não dissolvida que podem entupir os bicos. A calda bordalesa não tem validade longa: o ideal é usar no mesmo dia do preparo, pois com o tempo o cobre se precipita e perde eficácia.

Dica: aplique nas horas mais frescas do dia, de manhã cedo ou no fim da tarde. Evite aplicar com sol forte ou vento, pois a calda seca rápido e pode queimar as folhas, além de desperdiçar produto.

## Passo 7: Aplique com cobertura completa

A calda bordalesa é preventiva, então aplique antes do aparecimento dos sintomas, principalmente em épocas úmidas e quentes. Cubra bem a face inferior das folhas, onde os fungos costumam se alojar. Use bico de pulverização fina, que forma gotas pequenas e uniformes.

Erro comum: aplicar só na face superior. A maioria dos fungos inicia a infecção pela parte de baixo da folha, então vire o bico para cima e molhe bem.

A calda bordalesa não é seletiva: em excesso, pode queimar folhas jovens e inibir o crescimento. Respeite a dosagem e o intervalo entre aplicações, geralmente de 7 a 14 dias, dependendo da chuva e da pressão da doença.

## Checklist final

Antes de encerrar, confira se você fez tudo certo:

- Usou baldes plásticos, nunca metálicos.
- Dissolveu o sulfato de cobre em 5 litros de água.
- Dissolveu a cal virgem em outros 5 litros.
- Despejou a cal sobre o sulfato, mexendo sempre.
- Testou o pH e ajustou para entre 7 e 8.
- Filtrou a calda antes de pulverizar.
- Aplicou no mesmo dia, nas horas frescas.

## Perguntas frequentes sobre calda bordalesa

### Qual a diferença entre calda bordalesa e calda sulfocálcica?

A calda bordalesa é feita com sulfato de cobre e cal, e age principalmente como fungicida preventivo. A calda sulfocálcica é feita com enxofre e cal, e tem ação contra fungos e ácaros. A escolha depende da cultura e do problema: para requeima e míldio, a bordalesa é clássica; para oídio e ácaros, a sulfocálcica é mais indicada.

### Pode usar calda bordalesa em qualquer cultura?

A calda bordalesa é registrada para diversas culturas, mas algumas são mais sensíveis ao cobre, como alface e morango. Sempre consulte a recomendação para a sua cultura e faça um teste em poucas plantas antes de aplicar na área toda. Em solos com alto teor de cobre, o uso frequente pode acumular o metal no solo.

### Como armazenar a calda bordalesa pronta?

O ideal é não armazenar. A calda perde eficácia em poucas horas, pois o cobre precipita. Se sobrar, descarte de forma responsável, longe de cursos d'água. Para a próxima aplicação, prepare uma nova porção.

### Qual a época ideal para aplicar?

A calda bordalesa é preventiva, então aplique antes do período de maior umidade, que favorece os fungos. No início da brotação e antes de chuvas prolongadas são momentos estratégicos. Em culturas como tomate e batata, comece quando as plantas tiverem de 4 a 6 folhas verdadeiras.

### A calda bordalesa afeta os insetos benéficos?

O cobre tem baixa toxicidade para insetos adultos, mas pode afetar organismos aquáticos e alguns microrganismos do solo. Por isso, evite aplicar em excesso e não descarte restos em rios ou lagos. Na agricultura regenerativa, o uso consciente da calda bordalesa é uma ferramenta, não uma rotina fixa.

### Como saber se a calda está na concentração certa?

O teste do pH e do prego são bons indicadores. Além disso, a cor azulada e a textura leitosa indicam uma mistura equilibrada. Se a calda escorrer rápido das folhas, está diluída demais; se formar gotas grossas que não espalham, está concentrada demais. Ajuste na próxima leva, não na aplicação atual.

A calda bordalesa é um exemplo de como a agricultura pode dialogar com a natureza: um composto simples, baseado em minerais, que protege sem deixar resíduos tóxicos persistentes. Na nossa experiência de campo, quem domina esse preparo ganha autonomia e reduz custos. A produtividade começa debaixo da terra, mas a proteção das folhas também faz parte do sistema vivo que sustenta a colheita. Comece com 10 litros, teste na sua cultura e observe os resultados.

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Fonte (canonical): https://terraverdeviva.com.br/sustentabilidade/calda-bordalesa-fazer-guia-passo-a-passo-completo/
