IBGE divulga microdados do Censo com proteção de sigilo
O IBGE lançou nesta segunda-feira (31) os microdados da amostra do Censo Demográfico 2022, com cuidados para evitar que novas tecnologias violem a confidencialidade dos dados. Acesso é feito em três níveis, com termo de compromisso.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nesta segunda-feira (31) os microdados da amostra do Censo Demográfico 2022, que reúne informações detalhadas sobre características da população e dos domicílios brasileiros. A divulgação deste ano foi marcada por uma série de cuidados para evitar que o uso de novas tecnologias permita violar a confidencialidade dos dados.
Os microdados correspondem às informações obtidas a partir do conjunto de domicílios selecionados para responder a um questionário mais detalhado do que o aplicado ao universo da população. Segundo o IBGE, cada registro representa uma unidade de observação, como um domicílio, uma família, uma pessoa ou dados sobre a mortalidade. Um registro de pessoa pode conter variáveis como sexo, idade, cor, raça, nível de instrução, situação de ocupação e rendimento. Já os registros de domicílio podem oferecer informações sobre abastecimento de água, esgotamento sanitário, número de moradores ou condição de ocupação do imóvel.
"Esses arquivos são levados a público sem informações que identifiquem diretamente os informantes, sem nomes, CPF ou endereços, e ainda passam por tratamentos estatísticos de proteção", assegurou o instituto. Até chegar à publicação, a base passou por procedimentos técnicos de crítica, imputação, testes de consistência e documentação, além da definição das áreas de ponderação e avaliações específicas voltadas à proteção do sigilo estatístico.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, lembrou que o Censo 2022 é o 12º censo demográfico feito no Brasil, o oitavo realizado pelo instituto desde 1940, e o sexto com divulgação da produção dos microdados. Ele destacou que foi preciso enfrentar novidades da era digital, como os avanços da inteligência artificial e da ciência de dados, que colocaram em xeque a forma tradicional com a qual o IBGE divulgava os microdados. O temor era que essas informações fossem renomeadas ou identificadas.
O diretor da Diretoria de Pesquisas, Gustavo Junger, informou que essa necessidade de garantir mais segurança aos microdados chegou a provocar um atraso na divulgação, inicialmente prevista para dezembro de 2025. A coordenadora técnica do Censo Demográfico, Giulia Scappini, disse que a preocupação com a possibilidade de identificação surgiu a partir de novas tecnologias e da tendência crescente de compartilhamento de dados, o que aumentava a vulnerabilidade relacionada à privacidade dos respondentes.
A divulgação traz um novo modelo de acesso estruturado em três níveis: público, controlado e de dados restritos. No acesso público, qualquer pessoa pode baixar os microdados no site do IBGE, com informações até as unidades da federação. No nível controlado, pesquisadores e gestores acessam pela conta gov.br e assinam um termo de compromisso digital. O terceiro nível, a Sala de Acesso Restrito (SAR), exige apresentação de projeto de pesquisa, e os dados não saem da sala de sigilo.
O modelo inclui um termo de compromisso que precisa ser assinado pela pessoa que faz o acesso. Para o coordenador do Comitê Técnico de Qualidade do IBGE, Cimar Azeredo, é mais um fator de segurança. "As pessoas podem produzir dados ou estatísticas, mas não podem utilizar os microdados com intuito de reidentificar pessoas", afirmou. O uso comercial, publicitário e de marketing é vedado.