# Brasil tem 2 milhões de pessoas que trabalham por meio de aplicativos

> O Brasil registrou 2 milhões de trabalhadores por aplicativos em 2025, segundo o IBGE. O contingente atua majoritariamente por conta própria, com jornadas mais longas e renda-hora inferior à média dos demais ocupados. O perfil predominante inclui motoristas e entregadores, enfrentando desafios como instabilidade de renda e ausência de vínculo formal.

*Terra Verde Viva · Tecnologia no Campo · 04 de setembro de 2026 · Dirce Yamaguchi*

O IBGE revela que 2 milhões de pessoas trabalharam por aplicativos em 2025. A maioria atua por conta própria, com jornada maior e renda-hora menor que outros ocupados. Entenda o perfil e os desafios desse contingente.

Cerca de 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, segundo a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (4). A imensa maioria atua por conta própria, com jornadas semanais mais longas que os demais ocupados do setor privado e rendimento-hora menor.

O contingente de 1,959 milhão de trabalhadores por apps representava 1,9% do total de ocupados no país. O IBGE classifica esses trabalhadores como "plataformizados" e ouviu pessoas com 14 anos ou mais que usam aplicativos para serviços de transporte e entregas.

Cerca de 1,2 milhão de plataformizados utilizam apps de transporte de passageiros, o que equivale a 58,9% do total. Desses, 1,1 milhão usam plataformas como Uber e 99, enquanto 232 mil usam exclusivamente apps de táxi. Já os entregadores somam 376 mil pessoas, 19,2% do total, atuando em plataformas como Rappi, iFood e Zé Delivery. Outros 313 mil (16%) prestam serviços gerais ou profissionais, incluindo designers, tradutores e médicos que usam plataformas para telemedicina.

O IBGE destaca que a atividade de transporte, armazenagem e correios é a que mais concentra plataformizados: 75% dos ocupados desse setor usam apps. A pesquisa é experimental e já foi realizada em 2022 e 2024, mas as edições anteriores só consideravam quem tinha os apps como ocupação principal. Por isso, o número de 2 milhões de 2025 não é comparável com anos anteriores.

Quando se considera apenas os trabalhadores com ocupação principal nos apps, o total chega a 1,8 milhão, com crescimento de 9,1% em um ano e 36,8% em três anos. O número de entregadores cresceu 18,6% entre 2024 e 2025, a única ocupação com variação de dois dígitos. Em 2025, 84,4% dos plataformizados eram homens e 47% tinham entre 25 e 39 anos.

O rendimento médio mensal dos plataformizados foi de R$ 3.147, praticamente igual ao dos não plataformizados (R$ 3.148). Mas a jornada semanal de 44,7 horas, contra 39,3 horas dos demais, resulta em rendimento-hora de R$ 16,2, 12% menor que os R$ 18,4 dos não plataformizados. Os valores são o saldo após custos como gasolina, explica o IBGE.

A informalidade atinge 86,8% dos plataformizados, que se declaram conta própria, contra 28,9% no setor privado. O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, aponta que há "evidências de certo grau de dependência" das plataformas: 80,2% dos motoristas e 78,3% dos entregadores afirmam que o valor de cada tarefa depende totalmente dos apps. A divulgação ocorre uma semana após o STF adiar o julgamento sobre a "uberização", com a PGR defendendo que a corte não reconheça o vínculo empregatício.

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Fonte (canonical): https://terraverdeviva.com.br/tecnologia-no-campo/brasil-tem-2-milhoes-pessoas-trabalham-por-meio-aplicativos/
