Fraudes financeiras crescem 10% com novas regras do BC em 2026
O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceu 10,26% nos seis primeiros meses de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências. O avanço reflete o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central, segundo levant
Com novas regras do BC, registros de fraudes financeiras crescem 10%
O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceu 10,26% nos seis primeiros meses de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências entre casos suspeitos e confirmados. No segundo semestre do ano passado, houve 8,26 milhões de registros. Esse avanço, segundo a Quod, reflete principalmente o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central (BC), que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras para combater golpes.
As fraudes financeiras no Brasil cresceram 10,26% no primeiro semestre de 2026, com mais de 9 milhões de indícios registrados. O aumento é atribuído à Resolução 501 do Banco Central, que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras via base Rufra, permitindo detectar tentativas de golpes antes subnotificadas.
Por que os registros de fraudes aumentaram com a Resolução 501 do BC?
Segundo levantamento da Quod, datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, o avanço reflete principalmente o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central. A norma tornou mais robusta a troca de informações entre instituições financeiras, ampliando a capacidade de detecção do sistema financeiro.
O estudo foi elaborado a partir dos dados do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base colaborativa criada pela Quod para reunir informações sobre indícios e ocorrências de fraudes compartilhadas por instituições financeiras e empresas. O sistema centraliza dados de segurança para identificar padrões de atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e permitir o bloqueio preventivo de operações suspeitas.
Além de apoiar as estratégias de prevenção a golpes, o Rufra também atende às exigências da Resolução 501 do Banco Central, que tornou mais robusta a troca de informações entre as instituições financeiras. Com isso, tentativas de fraude que antes deixavam de ser registradas passaram a integrar uma base única de inteligência, ampliando a capacidade de detecção do sistema financeiro.
Segundo a Quod, o aumento dos registros não representa apenas uma expansão da atividade criminosa, mas também um avanço na capacidade de monitoramento do mercado.
"O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado financeiro. Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições passaram a compartilhar informações de forma muito mais ativa via base Rufra, detectando e trazendo à tona tentativas de golpes que antes ficavam subnotificadas no sistema", afirma Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod.
Como o celular e o Pix se tornaram os principais canais de fraude?
O ambiente digital continua concentrando a maior parte das fraudes financeiras no país. O celular foi utilizado em 78% dos casos registrados, tornando-se o principal canal explorado pelos criminosos. As contas correntes apareceram em 94% dos indícios, enquanto o Pix foi o meio de pagamento utilizado em 85% das fraudes.
Esses números mostram como a digitalização dos serviços financeiros, embora traga praticidade, também amplia a superfície de ataque para criminosos. O Pix, por sua rapidez e irreversibilidade, tornou-se alvo preferencial.
Engenharia social: a principal tática dos criminosos
A engenharia social segue como a principal estratégia utilizada pelos criminosos. Essa modalidade, baseada na manipulação psicológica das vítimas para obter informações ou convencê-las a realizar transferências, respondeu por 40% dos registros, o equivalente a mais de 3,6 milhões de ocorrências no semestre.
Na prática, os golpistas se passam por bancos, parentes ou empresas conhecidas, criando urgência para que a vítima tome decisões apressadas. É o que acontece nos golpes do falso motoboy, do falso funcionário de banco ou do falso sequestro.
Quem são as principais vítimas das fraudes financeiras?
Os dados mostram que os jovens são os principais alvos das fraudes financeiras. Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas. A faixa de 35 a 49 anos responde por 29,98% dos casos. Homens correspondem a 51% dos registros e mulheres, a 48%. A maioria das vítimas (58%) recebe até dois salários mínimos.
O levantamento também identificou elevado índice de reincidência. Das 3,1 milhões de pessoas que sofreram golpes no semestre, aproximadamente 799 mil, o equivalente a um quarto do total, foram vítimas duas ou mais vezes.
Isso indica que, uma vez que a pessoa cai em um golpe, seus dados podem ser reutilizados em novas tentativas, ou ela pode ser alvo de abordagens semelhantes.
Como se proteger: recomendações da Quod
A Quod recomenda que consumidores reforcem os cuidados nas operações financeiras, principalmente pelo celular. Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, orienta:
- Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, período em que os fraudadores aproveitam a distração das vítimas.
- Não clique em links recebidos por mensagens.
- Não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso o torna cúmplice e vítima do esquema de contas laranja.
Essas práticas simples ajudam a reduzir o risco de cair em golpes que exploram a pressa e a confiança.
O que é a Quod e o Rufra?
A Quod é uma datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito. A empresa desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial e análise de dados para apoiar instituições financeiras e empresas em decisões de crédito, prevenção a fraudes e recuperação de ativos.
O Registro Unificado de Fraudes (Rufra) é uma base colaborativa criada pela Quod para reunir informações sobre indícios e ocorrências de fraudes compartilhadas por instituições financeiras e empresas. O sistema centraliza dados de segurança para identificar padrões de atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e permitir o bloqueio preventivo de operações suspeitas.
Perguntas Frequentes
O que é a Resolução 501 do Banco Central?
É uma norma do Banco Central que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras para combater golpes, tornando a troca de dados mais robusta e obrigatória via bases como o Rufra.
Quantas fraudes financeiras foram registradas em 2026?
Foram mais de 9 milhões de indícios de fraudes no primeiro semestre de 2026, segundo a Quod, um aumento de 10,26% em relação ao semestre anterior.
Qual a faixa etária mais afetada por fraudes?
Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas, seguidas pela faixa de 35 a 49 anos, com 29,98%.
Como o Pix é usado em fraudes?
O Pix foi o meio de pagamento utilizado em 85% das fraudes registradas, segundo o levantamento da Quod, devido à sua rapidez e irreversibilidade.
O que é engenharia social em fraudes financeiras?
É a manipulação psicológica das vítimas para obter informações ou convencê-las a realizar transferências, responsável por 40% dos registros de fraudes no semestre.