# Subsídio de R$ 0,35 ao diesel não será retomado, diz ministro

> O ministro Bruno Moretti confirmou que o subsídio de R$ 0,35 ao diesel não será retomado. Apesar do aumento do petróleo, medidas de apoio permanecem. Entenda os detalhes.

*Terra Verde Viva · Tecnologia no Campo · 24 de julho de 2026 · Renan Bittencourt*

## Subsídio de R$ 0,35 ao diesel não será retomado, diz ministro

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, confirmou que o subsídio de R$ 0,35 por litro ao diesel não será restabelecido, mesmo com o petróleo se aproximando de US$ 100 por barril. A informação foi divulgada durante a apresentação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

## A decisão do governo

De acordo com Moretti, a avaliação do governo indica que a alta do petróleo ainda não teve impacto suficiente sobre os preços internos para justificar a retomada deste benefício. "Considerando nossa estratégia de suavização de preços, é preciso olhar o que está acontecendo no preço final ao consumidor. Hoje, entendemos que é importante manter o subsídio de R$ 1,12, segurar um pouco a estratégia de retirada gradual tendo em vista a piora do cenário, mas também entendemos que não justifica retomar o de R$ 0,35 até aqui", explicou.

O ministro destacou que a subvenção atualmente em vigor já representa um custo fiscal elevado para a União.

## Medidas de apoio aos combustíveis

Embora tenha descartado a retomada do subsídio adicional ao diesel, o governo decidiu manter outras medidas de apoio aos combustíveis. Segundo o Ministério do Planejamento, a subvenção da gasolina tem um custo estimado de R$ 1,3 bilhão por mês, enquanto o auxílio ao diesel representa cerca de R$ 5,5 bilhões mensais.

O governo havia iniciado a retirada gradual dos subsídios após um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, que levou os preços internacionais do petróleo a recuarem para níveis próximos aos observados antes do aumento de conflitos no Oriente Médio. A subvenção adicional de R$ 0,35 por litro do diesel foi encerrada em 1º de julho.

## Impactos das tensões internacionais

A retomada dos ataques na região voltou a pressionar as cotações internacionais do petróleo, levando o governo a manter parte dos incentivos para evitar um repasse imediato aos consumidores. Até junho, o governo desembolsou R$ 14,55 bilhões para mitigar os efeitos da alta internacional dos combustíveis sobre os preços domésticos, utilizando crédito extraordinário, que não conta para o limite de gastos, mas é contabilizado para a meta fiscal.

Desse total, R$ 7 bilhões foram gastos em junho e outros R$ 7 bilhões estão previstos para julho, dos quais R$ 3,3 bilhões são provenientes de uma medida provisória editada na mesma data. Além disso, R$ 550 milhões referem-se ao acordo para que os estados zerem o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel importado, com crédito extraordinário editado no fim de junho.

## Projeções fiscais

As despesas ainda devem crescer nos próximos meses, mas Moretti afirmou que o impacto adicional será considerado na próxima revisão das contas públicas. "O quanto vier em julho vai ser projetado no próximo relatório, afetando o espaço na meta. Tudo mais constante, hoje nós temos quase R$ 11 bilhões de espaço. Caso não haja cumprimento da meta, o instrumento ordinário é o contingenciamento", disse o ministro.

Parte do aumento das despesas tem sido compensada pela arrecadação obtida com o setor de petróleo. Como o Brasil é exportador líquido do produto, o governo mantém um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto, criado para evitar que a produção seja direcionada inteiramente ao mercado externo, preservando o abastecimento interno.

Inicialmente, esperava-se arrecadar R$ 16,5 bilhões em quatro meses com o tributo. Com a manutenção da cobrança por mais tempo, o governo ainda não incorporou a receita adicional às projeções do Orçamento.

O Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas mantém a previsão de superávit primário de R$ 10,8 bilhões para este ano, após o desconto da meta de gastos autorizados pelo arcabouço fiscal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A meta estabelecida pelo governo é de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância entre 0% e 0,5% do PIB.

Para cumprir o limite de gastos, o Executivo mantém um bloqueio de R$ 17,9 bilhões em despesas, mas, até o momento, não foi necessário contingenciar por insuficiência de receitas.

## Conclusão

A decisão do governo de não retomar o subsídio de R$ 0,35 ao diesel reflete uma análise cuidadosa do cenário econômico atual e dos custos fiscais associados. Enquanto outras medidas de apoio permanecem, é essencial que os consumidores e setores afetados se mantenham informados sobre as evoluções futuras e como isso impacta os preços dos combustíveis no Brasil.

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Fonte (canonical): https://terraverdeviva.com.br/tecnologia-no-campo/subsidio-r-035-ao-diesel-nao-sera-retomado-diz-ministro/
