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Tarifa de 37,5% impactará quase 4 mil produtos brasileiros

A nova tarifa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos afetará 3.985 produtos brasileiros. A CNI estima que as novas medidas alcançarão US$ 12,4 bilhões em vendas. Confira os detalhes.

Glória Sertaneja
Glória Sertaneja Repórter de Biodiversidade e Biomas · 24 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Tarifa de 37,5% impactará quase 4 mil produtos brasileiros

Tarifa de 37,5% atingirá quase 4 mil produtos brasileiros, estima CNI

Uma nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos fará com que 3.985 produtos brasileiros passem a enfrentar uma tributação total de 37,5% para entrar no mercado estadunidense, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com a CNI, essa medida alcançará US$ 12,4 bilhões, o equivalente a 29,4% de todas as vendas do Brasil aos Estados Unidos. As novas tarifas entram em vigor nesta sexta-feira (24).

Detalhes sobre a nova tarifa

O levantamento da CNI detalha como a nova tarifa de 12,5% será aplicada sobre os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. No total, a CNI calcula que 48,7% de todas as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos passarão a estar sujeitas a algum tipo de tarifa adicional imposta pelo governo estadunidense.

Essas novas cobranças decorrem da investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense, que concluiu que o Brasil e outros países não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Contestação do governo brasileiro

O governo brasileiro contestou a nova tarifa e a classificou como indevida. Na avaliação da CNI, as justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não refletem a realidade brasileira.

A entidade afirma que o Brasil possui uma das legislações mais modernas para prevenir, combater e erradicar o trabalho forçado ao longo das cadeias produtivas. Segundo a confederação, o arcabouço jurídico brasileiro prevê mecanismos de fiscalização, responsabilização e proteção aos trabalhadores reconhecidos internacionalmente.

Apelo por diálogo

Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a intensificação das negociações entre os governos brasileiro e estadunidense, para tentar reduzir os impactos sobre a indústria. "É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado. Ao mesmo tempo, precisamos agir com rapidez para amenizar o impacto sobre as empresas prejudicadas", destacou Alban.

Segundo ele, a entidade já mantém conversas com o governo federal e com os setores mais afetados para construir medidas de curto prazo.

Abrangência da investigação

A investigação conduzida pelos Estados Unidos alcançou 60 parceiros comerciais. Na decisão final, o Brasil foi incluído entre os países que, na avaliação do governo estadunidense, "não conseguiram impor nem aplicar de forma eficaz uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado".

Essa medida resultou na aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras, que, em muitos casos, será somada à sobretaxa de 25% já em vigor desde esta semana.

Essa nova realidade representa um importante desafio para as exportações brasileiras, especialmente em um contexto econômico global em constante mudança. A profundidade das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos está em jogo, e a resposta da indústria e do governo será crucial para mitigar os impactos dessa decisão.

Conclusão

As novas tarifas que incidem sobre os produtos brasileiros ilustram um cenário complexo de comércio internacional, onde legislações e políticas comerciais se cruzam com questões trabalhistas e direitos humanos. A capacidade do Brasil de se adaptar a essas mudanças e fortalecer seu diálogo com os Estados Unidos será fundamental para garantir a competitividade de suas exportações.

A indústria brasileira deve se preparar para esses novos desafios, buscando soluções que preservem tanto a produção quanto a ética nas cadeias produtivas, visando sempre um comércio justo e sustentável.

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