Brasil não deixará de negociar tarifas impostas pelos EUA, diz Durigan, análise
Em meio à guerra comercial entre EUA e China, o secretário-executivo do MDIC, Márcio Durigan, afirmou que o Brasil não deixará de negociar as tarifas impostas pelo governo americano. A declaração reforça a estratégia de diálogo e reciprocidade, com impactos diretos para exportado
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Durigan, afirmou que o Brasil não deixará de negociar as tarifas impostas pelos Estados Unidos. A declaração foi dada em audiência pública na Câmara dos Deputados, em meio à escalada tarifária entre EUA e China, que já elevou alíquotas a patamares históricos.
Resposta direta: o que Durigan disse?
Em audiência na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, Durigan afirmou que o governo brasileiro mantém diálogo permanente com Washington para reduzir tarifas impostas a produtos nacionais. Segundo ele, a estratégia combina negociação diplomática, reciprocidade e defesa da competitividade da indústria e do agronegócio. O Brasil busca evitar que as tarifas americanas prejudiquem exportações de aço, alumínio, café, suco de laranja e etanol, setores com forte presença de cooperativas.
O contexto da guerra comercial EUA-China
As tarifas impostas pelos EUA a produtos chineses chegaram a 145% em maio de 2026, segundo dados do governo americano citados pela imprensa. Em resposta, a China elevou tarifas a 125% sobre importações dos EUA. O Brasil, como terceiro maior parceiro comercial dos EUA nas Américas, busca uma via de diálogo para mitigar impactos colaterais.
A estratégia brasileira se apoia em três pilares: negociação direta com o governo Trump, uso de mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e fortalecimento de acordos bilaterais com outros parceiros, como a União Europeia e a China.
Impactos para exportadores e cooperativas
Para cooperativas agrícolas, a indefinição tarifária gera incerteza. Em 2025, o Brasil exportou US$ 42 bilhões em produtos agropecuários para os EUA, segundo o MDIC. Os principais itens na mira das tarifas são café, suco de laranja, etanol e carnes. Cooperativas do Sul e Sudeste, que concentram a produção de café arábica e laranja, são as mais expostas.
Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o setor cooperativo responde por 48% do agronegócio nacional. Uma eventual tarifa de retaliação americana sobre o café brasileiro, por exemplo, poderia reduzir em até 15% a receita de cooperativas cafeeiras, segundo estimativas de analistas de mercado.
A posição do MDIC: diálogo e reciprocidade
Durigan reforçou que o Brasil não adotará medidas unilaterais de retaliação sem antes esgotar as vias de negociação. O governo já enviou missão técnica a Washington para discutir tarifas sobre aço e alumínio, que afetam diretamente a indústria brasileira. Segundo o MDIC, as exportações brasileiras de aço para os EUA somaram US$ 2,8 bilhões em 2025.
O secretário também destacou que o Brasil pode usar a cláusula de nação mais favorecida da OMC para questionar tarifas discriminatórias. O país já venceu disputas semelhantes contra os EUA no passado, como no caso do algodão.
O que está em jogo para a economia brasileira
As tarifas americanas afetam não só o agronegócio, mas também a indústria de transformação. Setores como máquinas, equipamentos elétricos e químicos têm exposição relevante ao mercado americano. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), uma tarifa média de 25% sobre produtos brasileiros poderia reduzir o PIB industrial em 0,8% em dois anos.
Para as cooperativas, o impacto vai além da receita. Muitas delas investiram em certificações e rastreabilidade para atender ao mercado americano, que exige padrões sanitários e ambientais rigorosos. Uma barreira tarifária elevada pode tornar esses investimentos inviáveis no curto prazo.
As alternativas do Brasil além da negociação
Caso a negociação direta não avance, o Brasil pode recorrer a medidas de defesa comercial, como salvaguardas e cotas de exportação. Outra frente é a aceleração de acordos com outros parceiros. O MDIC já sinalizou interesse em ampliar o comércio com a China, que em 2025 importou US$ 89 bilhões do Brasil, e com a União Europeia, com quem o país negocia um acordo de livre comércio.
O governo também avalia medidas de estímulo à competitividade interna, como redução de custos logísticos e desburocratização para exportadores. Para cooperativas, linhas de crédito do BNDES e do Banco do Brasil podem aliviar o impacto de uma eventual retaliação.
Perguntas Frequentes
O que Durigan disse sobre as tarifas dos EUA?
O secretário-executivo do MDIC afirmou que o Brasil não deixará de negociar as tarifas impostas pelos EUA, priorizando o diálogo diplomático e a reciprocidade.
Quais setores brasileiros são mais afetados pelas tarifas americanas?
Agronegócio (café, suco de laranja, etanol, carnes), siderurgia (aço, alumínio) e indústria de transformação (máquinas, químicos) são os mais expostos.
O Brasil pode retaliar os EUA?
Sim, mas o governo prefere esgotar a negociação antes de adotar medidas unilaterais. O país pode recorrer à OMC ou impor tarifas recíprocas.
Como as cooperativas podem se proteger?
Diversificando mercados (China, UE, América Latina), investindo em certificações e acessando linhas de crédito do BNDES e do Banco do Brasil.
Qual o impacto no PIB brasileiro?
Segundo a CNI, uma tarifa média de 25% sobre produtos brasileiros poderia reduzir o PIB industrial em 0,8% em dois anos.
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