CNI mantém projeção de alta de 2% do PIB para este ano; veja setores
A CNI manteve em 2% a projeção de crescimento do PIB para este ano. O informe do 2º trimestre aponta indústria extrativa, agronegócio e serviços como motores, mas alerta para juros altos, inflação persistente e risco fiscal. A expectativa de cortes na Selic caiu para apenas duas
CNI mantém projeção de alta de 2% do PIB para este ano; veja setores
A CNI manteve em 2% a projeção de crescimento do PIB brasileiro para este ano, segundo o Informe Conjuntural do 2º Trimestre. O avanço é puxado pela indústria extrativa, agronegócio e serviços, mas limitado por juros elevados, inflação persistente e aumento das importações. A entidade reduziu a expectativa de cortes na Selic para apenas duas reduções de 0,25 ponto percentual em 2026.
CNI mantém projeção de PIB em 2%: o que muda
O número não surpreendeu. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) segurou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de bens e serviços produzidos no país, em 2% para este ano. A informação consta no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22). Em 2024, o PIB brasileiro somou 11,744 trilhões de reais, segundo o IBGE.
A entidade projeta que a economia avance em ritmo moderado, sustentado por três pilares: indústria extrativa, agronegócio e a resiliência do setor de serviços. O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou que o crescimento continuará apoiado pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Mas ele mesmo pondera: a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais seguram uma expansão mais acelerada.
Setores que puxam o crescimento
Indústria extrativa e petróleo
A CNI revisou para cima a expectativa de crescimento da indústria neste ano. O motor principal é a atividade extrativa, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo e menos afetada pelos juros elevados. É o segmento que mais se destaca no informe.
Agropecuária: nova safra recorde de soja
A expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, aliada ao crescimento da produção animal, levou a CNI a elevar pela segunda vez consecutiva a projeção para a agropecuária. O setor deve superar o previsto anteriormente, mesmo com o aumento dos custos de insumos provocado pelo conflito no Oriente Médio.
Construção civil: crédito habitacional
A construção civil deve ganhar impulso com medidas governamentais voltadas ao crédito habitacional e aos investimentos em infraestrutura. É um dos poucos segmentos com perspectiva de aceleração no curto prazo.
Serviços: mercado de trabalho sustenta
O setor de serviços continua sendo sustentado pelo mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação. Mas há um freio: o aumento da inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados reduziram a expectativa de crescimento.
Entraves que limitam a recuperação
A CNI lista quatro barreiras principais para uma retomada mais forte: juros elevados, inflação persistente, custos de produção mais altos e o aumento das importações. A entidade alerta que esses fatores devem limitar uma recuperação mais robusta da atividade econômica.
Inflação em alta
A CNI revisou para cima a projeção da inflação para este ano. A expectativa é de que alimentos, combustíveis e a inflação de serviços mantenham pressão sobre os preços ao consumidor.
Juros: menos cortes na Selic
Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros. Agora, a previsão é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026. Caso as projeções se confirmem, a política monetária permanecerá em nível bastante restritivo durante todo o próximo ano.
Cenário fiscal no vermelho
O cenário fiscal também preocupa a entidade. Embora a arrecadação federal deva crescer, o aumento das despesas públicas deve manter as contas do governo no vermelho, elevando o endividamento do país.
Riscos externos e pressão sobre a indústria
Na indústria de transformação, apesar da melhora na projeção, o setor continua pressionado pelo avanço das importações, pelos juros altos e pelo aumento dos custos decorrentes da guerra no Oriente Médio. Apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam crescimento, segundo a entidade.
No ambiente internacional, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como o principal fator de risco para a economia brasileira. O conflito elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão possa diminuir ao longo do ano diante do aumento esperado da oferta mundial de petróleo.
Outro ponto de atenção é o avanço das importações de bens de consumo, que ocorre em meio à desaceleração da indústria nacional. A entidade ressalta, porém, que esse cenário poderá ser alterado caso avancem as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fator que pode afetar o desempenho das exportações ao longo de 2026.
Perguntas Frequentes
O que é o PIB?
O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país em um período. Segundo o IBGE, o PIB do Brasil em 2024 foi de 11,744 trilhões de reais.
Por que a CNI manteve a projeção em 2%?
A CNI manteve a projeção porque o crescimento continua moderado, puxado por setores como indústria extrativa e agronegócio, mas limitado por juros altos, inflação e riscos fiscais.
Quais setores mais crescem em 2026?
Indústria extrativa (petróleo), agropecuária (soja e produção animal) e construção civil (crédito habitacional) lideram o crescimento. Serviços seguem resilientes, mas com ritmo menor.
O que pode atrapalhar o crescimento?
Juros elevados, inflação persistente, custos de produção altos, aumento das importações e o conflito no Oriente Médio são os principais entraves.
A CNI prevê cortes na Selic?
Sim, mas apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026, mantendo a política monetária restritiva durante todo o próximo ano.
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