Sustentabilidade

Brasil e EUA voltarão a discutir tarifas no G20 em Milwaukee

ResumoBrasil e EUA retomam negociações sobre tarifas impostas em julho durante o G20 em Milwaukee. A agenda tarifária afeta diretamente o agronegócio exportador, setor que depende da saúde do solo para manter competitividade no mercado internacional.

Representantes do Brasil e dos EUA voltam a negociar as tarifas impostas em julho durante o encontro do G20, em Milwaukee. Entenda o que está em jogo para quem vive do agro e por que a saúde do solo e a competitividade da exportação caminham juntas.

Dirce Yamaguchi
Dirce Yamaguchi Repórter de Solo e Regeneração · 15 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Brasil e EUA voltarão a discutir tarifas no G20 em Milwaukee

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, confirmou nesta segunda-feira (14) que representantes do governo brasileiro vão se reunir com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, durante o encontro do G20. O evento ocorre nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, nos Estados Unidos.

A reunião é a nova etapa de uma negociação que começou a destravar em 31 de agosto, quando Rosa e Greer se falaram por videoconferência. Antes disso, em 21 de agosto, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram por telefone durante cerca de uma hora e 20 minutos. Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo foi cordial e abriu um novo canal entre Brasília e Washington.

O que está em jogo para quem produz

Em julho, o USTR impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos brasileiros. A lista inclui ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas fora do setor de aviação e outros manufaturados. O órgão justificou a medida dizendo que práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Na sequência, uma sobretaxa adicional de 12,5% atingiu mais produtos nacionais. A alegação foi a de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Para quem acompanha o campo, a discussão não é distante. Açúcar, etanol e maquinário agrícola estão na lista taxada. Quando a tarifa sobe, o comprador lá fora paga mais e o produtor brasileiro perde margem. É aí que a conta chega ao talhão: cada ponto de custo que não conseguimos cortar na lavoura precisa ser compensado em produtividade.

E é exatamente nesse ponto que a saúde do solo deixa de ser conversa de laboratório e vira planilha. Solo com boa agregação, matéria orgânica em nível e microbiologia ativa responde melhor à adubação, segura mais água e reduz a dependência de insumos caros. A produtividade começa debaixo da terra. Solo vivo é solo que paga, inclusive quando o mercado lá fora aperta.

O ministro não adiantou detalhes do que será tratado no encontro. Disse apenas que as equipes trocavam documentos e combinavam a reunião. A expectativa é de continuidade das tratativas, sem anúncio de acordo fechado.

Enquanto a negociação caminha, uma prática regenerativa que o produtor pode começar a aplicar na própria área é a rotação de culturas com cobertura viva entre safras. Ela alimenta a biologia do solo, melhora a estrutura e ajuda a sustentar produtividade mesmo em ano de margem apertada. cobertura do tarifaço pela Agência Brasil

Leia também

Publicidade