Sustentabilidade

Encontro no Rio debate papel da mulher preta em postos de decisão | PER

ResumoO Festival Pacto das Pretas, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), realizou no Rio de Janeiro o segundo dia de debates sobre o papel de mulheres negras em postos de decisão. O evento, que já passou por Salvador e seguirá para São Paulo, reúne 1,5 mil líderes para discutir governança e equidade racial.

O Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) realizou o segundo dia do Festival Pacto das Pretas no MAR, no Rio, debatendo o papel de mulheres negras em postos de decisão. O evento, que já passou por Salvador e segue para São Paulo, reúne 1,5 mil líderes para discutir governança

Renan Bittencourt
Renan Bittencourt Colunista de Carbono e Clima · 22 de julho de 2026 · 6 min de leitura
Encontro no Rio debate papel da mulher preta em postos de decisão | PER

Encontro no Rio debate papel da mulher preta em postos de decisão

O Festival Pacto das Pretas, que chegou à quinta edição em 2026, realizou seu segundo dia nesta segunda-feira (21), no Museu de Arte do Rio (MAR). O evento, promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), debate o papel da mulher preta em postos de decisão na economia e na tecnologia. O primeiro dia ocorreu na última sexta-feira (17), em Salvador, e o terceiro será em São Paulo, na próxima sexta (24). Ao longo dos três dias, os encontros reúnem cerca de 1,5 mil líderes para debater temas como governança corporativa e diversidade, a partir do conceito "Movimento: Mulheres Negras Criando".

O Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) atua como uma plataforma nacional de impacto socioeconômico. A iniciativa é liderada pelo próprio PER, com apoio de empresas como Aegea, Caixa Capitalização, Banco do Brasil, Vivo, XP Inc e Natura. O pacto implementa um Protocolo ESG Racial para o país e tem 85 empresas como signatárias.

O que está em jogo para você

Se você é profissional, gestor ou empreendedor, o debate sobre a consolidação do papel de mulheres negras como tomadoras de decisões estratégicas afeta diretamente o ambiente corporativo e as oportunidades de carreira. A presidente do Conselho Deliberativo do PER, a historiadora Wânia Sant'Anna, ressaltou a importância do tema. "O festival tem esse objetivo de trazer, em um evento desenhado para isso, a visão, a opinião e a prática de mulheres negras que têm atuado no terreno do trabalho. Não é um evento de saúde e de educação. É um evento em que a grande pauta é empregabilidade, empreendedorismo, economia e empoderamento para estar nesses lugares", apontou, em entrevista à Agência Brasil. "Isso sem descartar, de maneira nenhuma, os processos discriminatórios que as empresas têm, de não lhes dar oportunidades ou minimizar as suas entregas. É disso que estamos falando aqui", completou.

O papel da liderança feminina negra

A escritora e comunicadora Luna Vitrolira, que participou do encontro, afirmou à Agência Brasil que, quando uma mulher negra lidera, dificilmente caminha sozinha. "Ela abre caminhos, compartilha oportunidades e inspira outras mulheres a acreditarem que também podem ocupar espaços de poder e decisão. Incentivar essa liderança é investir em um futuro mais justo, mais próspero e mais representativo para toda a sociedade".

Plataforma Black Hub e as cartilhas

Um dos destaques desta edição é a Plataforma Black Hub, lançada no dia 17 de junho, em São Paulo. Ela é considerada "um ecossistema digital direcionado à educação antirracista, cultura e aceleração profissional". O projeto foi viabilizado pela Lei Rouanet e ancorado pelo investimento de marcas como Banco Itaú, Caixa Capitalização, Bayer e Fujifilm. Na plataforma, é possível interagir com projetos como a Cartilha ESG Racial, desenvolvida em parceria com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), no fortalecimento da filantropia e do investimento social no Brasil. "A publicação traz diretrizes de aplicação prática e indicadores para orientar o setor corporativo a incorporar a pauta antirracista de forma estratégica e integrada às suas práticas de gestão, governança e impacto social", indicou a organização do evento.

Outro guia é a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wania Sant'Anna e desenvolvida em parceria com o escritório Daniel Law, signatário do PER. "Reúne recomendações, diretrizes, referências legais e orientações práticas para apoiar empresas na prevenção, sensibilização e construção de uma cultura corporativa de proteção às mulheres", descrevem os organizadores.

O livro e o contexto do 25 de julho

Nas artes, o livro "Vozes que Ocupam" reúne 16 crônicas inéditas assinadas por lideranças negras da cultura, comunicação e educação, como Djamila Ribeiro, Rodrigo França, Érica Januza, Diogo Almeida, Dom Filó, Pedro Rajão e Isabel Fillardis. Wânia Sant'Anna destacou o fato de o encontro ocorrer no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho. "Nada melhor que falar sobre isso na semana do 25 de julho".

Conexões e talentos para o topo

Luna Vitrolira disse que o principal recado que levou para esta edição foi o de que nenhuma transformação acontece sozinha. "Eu venho do Nordeste, de Pernambuco, de uma tradição em que a palavra é encontro, é memória e também é ferramenta de mudança. Aprendi que a voz tem o poder de reunir pessoas, criar pontes e abrir caminhos", contou. Ela revelou que, como poeta e cerimonialista, procurou conduzir o encontro lembrando que estratégia, arte e sensibilidade não são opostas. "Podemos falar de negócios, liderança, inovação e desenvolvimento sem perder de vista o afeto, a poesia, a escuta", relatou. "O futuro que queremos construir precisa reconhecer a potência das mulheres negras não como exceção, mas como parte essencial do presente. Quando uma mulher negra ocupa o centro da narrativa, toda a sociedade amplia seu horizonte de possibilidades", destacou.

As reações do público, segundo a escritora, mostraram que existe uma demanda muito grande por espaços como este. "As mulheres estavam ali para falar e ouvir, compartilhando experiências, criando conexões e se reconhecendo nas histórias umas das outras. Acho que o Pacto das Pretas nos lembra que desenvolvimento não é apenas crescimento econômico. É também acesso à informação, fortalecimento de redes, ampliação de direitos e confiança para ocupar espaços de decisão".

Outro efeito do festival é servir como polo de atração de talentos para o topo do mercado corporativo, com a imersão presencial das 30 executivas selecionadas pelo Programa Pacto Transforma. Essa é uma iniciativa nacional que identifica profissionais seniores de diversas regiões do Brasil "para acelerar suas competências de alta governança, preparando-as estrategicamente para assentos de conselho e cargos de C-Level". "A presença desse grupo sela o festival como o principal hub de networking qualificado e atração de talentos para posições de liderança no país, conectando diretamente esse pipeline executivo de elite aos diretores de sustentabilidade e CEOs das organizações parceiras", observou a organização.

Perguntas Frequentes

O que é o Festival Pacto das Pretas?

É um evento promovido pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER) que reúne cerca de 1,5 mil líderes para debater governança corporativa, diversidade e o papel de mulheres negras em postos de decisão.

Quando e onde ocorre o festival em 2026?

O primeiro dia foi em Salvador (17 de julho), o segundo no Rio de Janeiro (21 de julho) e o terceiro será em São Paulo (24 de julho).

Quem lidera o Pacto de Promoção da Equidade Racial?

A presidente do Conselho Deliberativo é a historiadora Wânia Sant'Anna. O pacto tem 85 empresas signatárias.

O que é a Plataforma Black Hub?

É um ecossistema digital de educação antirracista, cultura e aceleração profissional, viabilizado pela Lei Rouanet e apoiado por marcas como Banco Itaú e Bayer.

Como o festival atrai talentos para cargos de liderança?

Por meio do Programa Pacto Transforma, que seleciona 30 executivas seniores para aceleração de competências de alta governança, preparando-as para conselhos e cargos de C-Level.

Qual a relação do evento com o 25 de julho?

O festival ocorre na semana do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.

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