Dólar cai ao menor valor desde junho com alta do petróleo e fluxo estrangeiro
O dólar encerrou a quarta-feira (22) no menor valor desde 2 de junho, cotado a R$ 5,053. A alta do petróleo, o fluxo de capital estrangeiro e os juros altos no Brasil empurraram a moeda para baixo, enquanto o Ibovespa subiu 2,44% e voltou aos 177 mil pontos.
O dólar comercial fechou a quarta-feira (22) no menor patamar desde 2 de junho, cotado a R$ 5,053, uma queda de 0,42% na terceira sessão consecutiva de baixa. O movimento reflete a combinação de três fatores: a forte valorização do petróleo, a entrada de capital estrangeiro atraído pelos juros altos no Brasil e o apetite por ativos de países emergentes.
A cotação chegou a operar em alta no início das negociações, mas inverteu o sinal após a abertura do mercado de ações. O recuo acompanhou a valorização da Bolsa brasileira e o desempenho positivo de outras moedas emergentes. Dados do Banco Central mostram que o dólar PTAX de venda estava em R$ 5,0780 no dia anterior (21/07) e em R$ 5,0894 em 20/07.
Petróleo em alta sustenta a balança comercial
O barril do tipo Brent, referência internacional, avançou 3,36% para US$ 94,07, enquanto o WTI (Texas) subiu 2,95% para US$ 86,83. Foi a quarta sessão consecutiva de alta, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente os riscos de bloqueios nos estreitos de Ormuz e de Bab-el-Mandeb, rotas estratégicas para o comércio global da commodity. As ameaças do grupo Houthi e declarações de autoridades iranianas ampliaram os temores sobre a oferta, mesmo com os estoques americanos acima do esperado.
Para o Brasil, exportador líquido de petróleo, a alta melhora as perspectivas da balança comercial. O fluxo cambial total acumulado em 2026 até julho ficou positivo em US$ 17,946 bilhões, segundo dados do Banco Central, refletindo a melhora do fluxo financeiro em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ibovespa rompe sequência de quedas
O Ibovespa subiu 2,44%, encerrando aos 177.547,57 pontos, maior nível desde o último dia 10. O indicador interrompeu uma sequência de cinco sessões de queda. O desempenho foi puxado por ações de mineradoras, petroleiras e bancos.
As ações da Petrobras acompanharam a alta do petróleo: os papéis ordinários (com voto em assembleia) subiram 2,39%, e as preferenciais (com preferência em dividendos) avançaram 2,21%. Segundo analistas, o retorno do fluxo estrangeiro também beneficiou o mercado, com investidores buscando ativos baratos em comparação às bolsas americanas, mesmo com os índices de Nova York fechando em queda.
Tarifa dos EUA teve impacto limitado
A entrada em vigor da tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros e o anúncio de novas medidas de apoio do governo às empresas afetadas tiveram efeito contido sobre o câmbio. O mercado considerava esses fatores amplamente precificados.
O que esperar do câmbio
A combinação de juros altos, fluxo estrangeiro positivo e petróleo valorizado sustenta a tendência de baixa do dólar no curto prazo. Mas o mercado segue atento aos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio e à política tarifária americana, que podem reverter o movimento.
Para quem acompanha o câmbio, a dica prática: o patamar abaixo de R$ 5,10 é o menor desde junho, mas a volatilidade deve continuar. Acompanhe os dados do Banco Central e os preços do petróleo para antecipar os próximos movimentos.
Perguntas Frequentes
Por que o dólar caiu?
A queda foi impulsionada pela alta do petróleo, pelo fluxo de capital estrangeiro e pelos juros altos no Brasil, que atraem investidores.
Qual foi a cotação do dólar no dia 22 de julho?
O dólar comercial fechou a R$ 5,053, o menor valor desde 2 de junho.
O Ibovespa também subiu?
Sim, o Ibovespa avançou 2,44%, aos 177.547,57 pontos, interrompendo cinco sessões de queda.
Como o petróleo influencia o câmbio?
O Brasil é exportador líquido de petróleo. A alta da commodity melhora a balança comercial e atrai dólares para o país, pressionando a moeda americana para baixo.
A tarifa dos EUA afetou o dólar?
O impacto foi limitado, pois o mercado já havia precificado a tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.