Safra e Produção

EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros: entenda o impacto

ResumoOs Estados Unidos impuseram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 24 de janeiro. A medida, fundamentada em alegações de trabalho forçado, pode elevar a tributação total a 37,5% para parte das exportações. O Brasil avalia contramedidas e negociações para mitigar o impacto comercial.

Os Estados Unidos impuseram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor nesta sexta-feira (24). A medida, baseada em alegações de trabalho forçado, pode elevar a tributação total a 37,5% para parte das exportações. Entenda o que muda e como o Brasil re

Glória Sertaneja
Glória Sertaneja Repórter de Biodiversidade e Biomas · 23 de julho de 2026 · 5 min de leitura
EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros: entenda o impacto

EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros: entenda o impacto

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24).

A nova tarifa substitui a taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma à sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o último dia 22. Com isso, parte das exportações do Brasil para o mercado estadunidense poderá enfrentar tributação de até 37,5%.

O que motivou a nova tarifa?

A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo estadunidense, o Brasil integra o grupo de 54 países que não proíbem nem fiscalizam de forma efetiva a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados internos.

Na avaliação do USTR, essa falha cria uma vantagem competitiva indevida, ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos menores. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a prática prejudica empresas e trabalhadores estadunidenses.

"A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual", destacou Greer em comunicado.

O relatório afirma que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos. Segundo o USTR, esses produtos poderiam entrar no mercado brasileiro com preços artificialmente reduzidos e, posteriormente, influenciar a competitividade das exportações nacionais.

O documento também menciona que, embora o Brasil participe de acordos internacionais de combate ao trabalho escravo e mantenha a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, o país não detém, na avaliação dos Estados Unidos, mecanismos considerados suficientes para impedir a importação desses bens.

Quem mais foi afetado?

A investigação alcançou 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. Além do Brasil, outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%, entre eles China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul.

Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia foram enquadrados em outra categoria e terão tarifa adicional de 10%, por já manterem mecanismos legais de controle, embora considerados insuficientes pelos EUA.

O contexto das tarifas anteriores

A nova medida se soma à tarifa de 25% aplicada nesta semana sobre parte das exportações brasileiras, resultado de outra investigação conduzida pelo USTR. Nesse processo, o governo estadunidense acusou o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais, citando questões como acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e políticas comerciais preferenciais.

Com a nova decisão, empresas brasileiras poderão enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5% em parte das exportações destinadas aos Estados Unidos.

As novas tarifas anunciadas nesta quinta substituem a taxa global de 10% anunciada por Trump em fevereiro deste ano. Na ocasião, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as "tarifas recíprocas" impostas pelo presidente estadunidense no ano passado.

Como o Brasil reagiu?

Em nota, o governo brasileiro criticou a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos e classificou a medida como "arbitrária" e "injustificada". Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Brasil apresentou ao governo norte-americano informações sobre sua legislação e os mecanismos de fiscalização para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, além de destacar o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

O texto também informa que o governo pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro já havia contestado as conclusões da investigação. Em manifestação anterior, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que eventuais sanções seriam desproporcionais e defendeu que o país mantém legislação e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado.

Segundo o chanceler, o Brasil dispõe de mecanismos de fiscalização e cooperação internacional para impedir a circulação de produtos produzidos em condições análogas à escravidão.

Enquanto avalia uma resposta diplomática, o governo mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas pelas tarifas americanas por meio do Plano Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados.

Perguntas Frequentes

O que muda com a nova tarifa de 12,5%?

A nova tarifa de 12,5% substitui a taxa global de 10% e se soma à sobretaxa de 25%, podendo elevar a tributação total a 37,5% para parte das exportações brasileiras aos EUA.

Por que os EUA impuseram essa tarifa?

Os EUA alegam que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, criando vantagem competitiva indevida.

O que o Brasil pode fazer para reverter a medida?

O governo brasileiro pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da OMC.

Quais produtos brasileiros são afetados?

A medida atinge produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos, conforme investigação do USTR entre 2021 e 2025.

A tarifa já está em vigor?

Sim, a nova tarifa entra em vigor na madrugada desta sexta-feira (24).

Outros países também foram tarifados?

Sim, outros 53 países receberam a mesma sobretaxa de 12,5%, incluindo China, Argentina, Japão, Índia e Reino Unido.

Leia também

Publicidade