Sustentabilidade

Brasil cria política de minerais críticos e terras raras

ResumoA Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi criada por lei sancionada pelo presidente Lula e prevê aporte de R$ 2 bilhões da União em fundo garantidor, além de aumento de verba para pesquisa geológica no Brasil. A medida busca ampliar a exploração de minerais críticos e terras raras no país.

Lei sancionada por Lula cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com aporte de R$ 2 bilhões da União em fundo garantidor e salto de verba para pesquisa geológica no Brasil.

Dirce Yamaguchi
Dirce Yamaguchi Repórter de Solo e Regeneração · 17 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Brasil cria política de minerais críticos e terras raras

A mineração brasileira de minerais críticos e estratégicos ganhou um marco legal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quarta-feira (16), a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto prevê investimentos de até R$ 7 bilhões em incentivos a projetos de processamento e transformação desses minerais.

Em resumo, a política estimula pesquisa, extração e transformação de minerais críticos, cria um fundo garantidor com aporte inicial de R$ 2 bilhões da União (podendo chegar a R$ 5 bilhões) e institui um conselho nacional para coordenar a industrialização. O fundo somente apoiará projetos considerados prioritários no âmbito da política.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a lei ajudará o país a conhecer melhor seus recursos. "O Brasil vai conhecer em profundidade seus recursos e preservar a capacidade de decisão sobre suas cadeias produtivas", disse. Ele explicou que o Serviço Geológico do Brasil terá aumento de verba, de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões, para pesquisa de conhecimento do solo.

A lei cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam), com aporte de R$ 2 bilhões da União, destinado a garantir empreendimentos e atividades vinculados à produção de minerais críticos e estratégicos. Lula também assinou decreto que cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, responsável por coordenação, planejamento e acompanhamento da política, além de propor ações públicas para desenvolver as cadeias produtivas.

Pablo Cesário, do Instituto Brasileiro de Mineração, destacou o horizonte longo do setor: "A mineração exige investimentos intensivos e ciclos produtivos que frequentemente chegam a 40 anos. Por isso, previsibilidade e estabilidade, especialmente a fiscal, são premissas indispensáveis para atrair investimento de longo prazo".

Após a assinatura, Lula defendeu investimento na formação de novos profissionais e convidou universidades e institutos federais a participar da criação de cursos "para não ficarmos devendo a ninguém no mundo em preparação". O presidente também afirmou que existem "traidores da pátria" que quiseram vender minerais críticos em estado bruto aos Estados Unidos, e disse que "nossa soberania não está à venda".

Os minerais críticos e as terras raras são insumos indispensáveis para tecnologia, indústria automobilística, defesa e transição energética. Minerais críticos são aqueles cujo suprimento envolve riscos como concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica e dificuldade de substituição. Já as terras raras são um grupo específico de 17 elementos químicos dispersos na natureza, essenciais para turbinas eólicas, smartphones, carros elétricos e sistemas de defesa.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, atrás apenas da China, com aproximadamente 44 milhões de toneladas. Apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica potencial ainda desconhecido. A definição de quais minerais são críticos ou estratégicos varia por país e pode mudar conforme avanços tecnológicos, descobertas geológicas e demanda.

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