Sustentabilidade

Cobertura previdenciária de motociclistas de app é de 19,4%

ResumoA pesquisa do IBGE sobre trabalho plataformizado revela que apenas 19,4% dos motociclistas de aplicativo no Brasil possuem cobertura previdenciária. Esse percentual corresponde a 79 mil trabalhadores, de um total de 405 mil atuantes no setor. A baixa proteção social expõe a vulnerabilidade desses profissionais, que operam sem garantias formais de aposentadoria ou benefícios.

Só 19,4% dos motociclistas de aplicativo no Brasil têm cobertura previdenciária, segundo o IBGE. São 79 mil de 405 mil trabalhadores plataformizados. Entenda os dados.

Murilo Cavalcanti
Murilo Cavalcanti Repórter de Energia Limpa no Campo · 04 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Cobertura previdenciária de motociclistas de app é de 19,4%

O Brasil tem cerca de 405 mil pessoas trabalhando como motociclistas de aplicativos, entre transporte de passageiros e entrega de comida e produtos. Desses, apenas 79 mil têm cobertura previdenciária, o equivalente a 19,4%, ou seja, um em cada cinco. Os dados são de um módulo especial da Pnad Contínua, divulgado nesta sexta-feira (4) pelo IBGE.

Apenas 1 em cada 5 motociclistas de app contribui para a previdência, segundo o IBGE. O índice de cobertura entre os plataformizados (19,4%) fica abaixo dos 31% registrados entre todos os motociclistas do país, incluindo os que não usam aplicativos. Para comparação, no setor privado como um todo, a cobertura chega a 62,4%. Contribuir para institutos de previdência garante ao trabalhador direitos como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte.

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, aponta que a pequena parcela de condutores plataformizados protegidos contrasta com o perfil da atividade. "Eles podem estar expostos a acidentes e outros riscos relacionados à ocupação", diz. A pesquisa é considerada pelo IBGE como experimental, ou seja, em fase de teste e sob avaliação. Em 2023 não houve coleta de informações.

O levantamento mostra crescimento acelerado da categoria. De 2024 para 2025, o número de motociclistas plataformizados subiu 15,4%. Entre 2022, primeiro ano da pesquisa, e 2025, o contingente praticamente dobrou, passando de 211 mil para 405 mil pessoas. Em média, esses trabalhadores recebem R$ 2.221 mensais, valor já descontado de gastos como combustível. A jornada semanal é de 44,9 horas, acima das 41,1 horas dos motociclistas não ligados a apps. O rendimento por hora dos plataformizados (R$ 11,4) é 12,9% superior ao dos demais (R$ 10,1).

A Pnad também traz dados de motoristas de aplicativo. Em 2025, eram 905 mil pessoas, alta de 9,8% em um ano e de 26% desde 2022. Apenas 25,5% tinham cobertura previdenciária, ou um em cada quatro. Entre todos os motoristas do país, o índice chega a 43,8%. Diferente dos motociclistas, os motoristas de app têm rendimento por hora inferior aos não plataformizados: R$ 14,4 contra R$ 16, com jornadas de 45,9 e 40,4 horas semanais, respectivamente. Ao fim do mês, o rendimento médio é de R$ 2.873, valor 2,4% maior que o dos não plataformizados.

Os números reforçam um ponto prático: a cobertura previdenciária ainda é exceção entre quem vive de aplicativo. Para o produtor rural que também usa moto ou carro como fonte de renda extra, a lição é direta. Contribuir para o INSS como contribuinte individual garante benefícios básicos em caso de acidente ou doença. O custo mensal é de 20% sobre o salário de contribuição, com alíquotas reduzidas para quem opta pelo plano simplificado. Vale comparar o valor com o risco real da atividade antes de decidir. como contribuir para o INSS como autônomo

A cobertura previdenciária entre trabalhadores de app deve seguir como tema de debate, especialmente com o avanço da regulamentação do setor. Para quem atua na categoria, o caminho mais seguro é buscar orientação de um contador ou do próprio INSS para entender as opções de contribuição e os benefícios a que tem direito. benefícios do INSS para trabalhadores autônomos

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