Sustentabilidade

Arrecadação com 'imposto do pecado' deve chegar a R$ 41,9 bi em 2027

ResumoO Imposto Seletivo, apelidado de 'imposto do pecado', deve arrecadar R$ 41,9 bilhões em 2027, conforme o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso Nacional. A estimativa integra a previsão de receitas federais para o próximo ano. O tributo incidirá sobre produtos considerados nocivos à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e veículos poluentes.

O Imposto Seletivo, apelidado de 'imposto do pecado', deve arrecadar R$ 41,9 bilhões em 2027, segundo o PLOA enviado ao Congresso. Veja o que muda.

Solange Ribeiro Pinto
Solange Ribeiro Pinto Colunista de Alimentação e Origem · 01 de setembro de 2026 · 4 min de leitura
Arrecadação com 'imposto do pecado' deve chegar a R$ 41,9 bi em 2027

O Imposto Seletivo (IS), apelidado de "imposto do pecado", deverá arrecadar R$ 41,9 bilhões em 2027. A previsão consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional. Criado pela reforma tributária, o tributo incidirá sobre produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A lista inclui cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, alguns tipos de veículos, extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports. A cobrança começa em 2027, mas a regulamentação do imposto ainda depende de aprovação do Congresso. O governo ainda não enviou a proposta específica que definirá as regras de funcionamento do tributo.

O que o imposto do pecado atinge

A lista prevista para o Imposto Seletivo inclui:

  • Refrigerantes e outras bebidas açucaradas;
  • Veículos, conforme características e nível de emissão de poluentes;
  • Cigarros e outros produtos do tabaco;
  • Bebidas alcoólicas;
  • Extração de bens minerais;
  • Loterias, apostas e jogos de fantasy sports.

Segundo o Ministério da Fazenda, a estratégia inicial é preservar, durante o período de transição, uma carga tributária semelhante à atualmente aplicada aos produtos. Em uma etapa posterior, as alíquotas poderão ser elevadas pelo chamado efeito regulatório, com o objetivo de desestimular o consumo de produtos considerados nocivos.

A lógica da arrecadação

Em entrevista coletiva para explicar o PLOA de 2027, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a estimativa de arrecadação busca preservar a carga atual incidente sobre setores que são tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

No caso das apostas, a tributação será uma novidade, porque as chamadas bets não estão sujeitas ao IPI. Segundo Durigan, o governo pretende evitar uma alíquota tão baixa que seja irrelevante ou tão alta que estimule a migração das plataformas para a ilegalidade.

O governo utiliza também argumentos relacionados aos custos provocados pelo consumo desses produtos para justificar a tributação.

Custos para a saúde: os números que embasam o tributo

Segundo o Ministério da Saúde, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimou que o consumo de álcool gerou, em 2019, R$ 18,8 bilhões em custos. Desse total, R$ 1,1 bilhão correspondeu a despesas federais diretas com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no SUS.

No caso do tabagismo, as doenças relacionadas ao consumo de cigarros geram R$ 153,5 bilhões em custos anuais, segundo estimativa do Ministério da Saúde. O valor inclui despesas diretas e perdas de produtividade.

Os números apresentados pelo Ministério da Saúde mostram ainda que:

  • R$ 86,3 bilhões são custos indiretos associados ao tabagismo;
  • R$ 8 bilhões são arrecadados anualmente em tributos federais sobre cigarros;
  • R$ 3 bilhões são os custos estimados ao SUS com doenças relacionadas ao consumo de bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes.

Como o imposto se encaixa na reforma tributária

O Imposto Seletivo integra o novo sistema de tributação sobre o consumo aprovado pelo Congresso em 2023 e regulamentado posteriormente. A implementação ocorrerá de forma gradual, com transição prevista até 2033.

A partir de 2027, o IS passará a coexistir com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

No Orçamento de 2027, o governo estima R$ 636 bilhões de arrecadação com a CBS. Somados aos R$ 41,9 bilhões previstos para o Imposto Seletivo, os dois novos tributos devem gerar R$ 677,9 bilhões no próximo ano.

A previsão de receitas com os novos tributos é considerada importante para o equilíbrio das contas públicas durante a transição para o novo modelo tributário.

O que dizem os setores atingidos

Produtores dos segmentos atingidos pelo Imposto Seletivo alegam que cigarros, bebidas alcoólicas e outros produtos têm elevada carga tributária no Brasil.

Representantes do setor avaliam que aumentos adicionais podem reduzir margens de lucro e provocar repasses aos preços. Também apontam riscos de demissões e crescimento do mercado ilegal caso a tributação seja considerada excessiva.

O governo, por outro lado, sustenta que o Imposto Seletivo terá não apenas função arrecadatória, mas também regulatória, justamente para reduzir o consumo de produtos com impactos negativos sobre a saúde e o meio ambiente.

Perguntas Frequentes

Quando começa a cobrança do imposto do pecado?

A cobrança do Imposto Seletivo começa em 2027, mas a regulamentação do tributo ainda precisa ser aprovada pelo Congresso. O governo ainda não enviou a proposta específica com as regras de funcionamento.

Quais produtos serão atingidos pelo imposto do pecado?

Cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, alguns tipos de veículos, extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports estão na lista prevista.

O imposto do pecado vai aumentar os preços?

A estratégia inicial do governo é preservar a carga tributária atual durante a transição. Em etapa posterior, as alíquotas poderão ser elevadas para desestimular o consumo, o que pode impactar os preços.

O que é o efeito regulatório?

É a elevação futura das alíquotas do Imposto Seletivo com o objetivo de reduzir o consumo de produtos considerados nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Como o imposto do pecado se relaciona com a CBS?

A partir de 2027, o IS coexistirá com a CBS, que substitui PIS, Cofins e parte do IPI. Juntos, devem gerar R$ 677,9 bilhões em 2027, segundo o PLOA.

Leia também

Publicidade